Modulação Diatônica
Modulação diatônica é quando mudamos a função harmônica de um acorde na música; ou seja, aproveitamos o fato de que um mesmo acorde existe em tonalidades diferentes e fazemos uma transição entre essas tonalidades por meio desse acorde.
Observe esse exemplo: digamos que a tonalidade de uma música esteja em Dó maior até que, em determinado momento, aparece o acorde Sol maior, seguido de Ré maior e Si menor. Podemos ver claramente que a tonalidade mudou para Ré maior, mas o interessante é que o acorde de Sol pertence tanto ao campo harmônico de Dó maior como ao campo de Ré maior. Na tonalidade de Dó, Sol é quinto grau (função dominante), enquanto que na tonalidade de Ré, Sol é quarto grau (função subdominante).
Moral da história: para fazer essa modulação de Dó maior para Ré maior, nós mudamos a função de Sol: ele deixou de ser quinto grau e passou a ser utilizado como quarto grau. Essa é uma maneira interessante de modular, pois nós confundimos o ouvinte fazendo um mesmo acorde atuar com outra função. Muitas vezes, essa técnica bem empregada faz a modulação ficar quase imperceptível; a tonalidade muda e o ouvinte desavisado nem percebe!
Bom, a definição que mostramos até agora não é a única possível para modulação diatônica. Por exemplo, numa música em Dó maior, depois de Sol poderia vir o acorde Dó menor, e nesse caso estaríamos modulando para o tom paralelo usando Sol como dominante, ou seja, ele não mudou de função, apesar de ter levado a música para outra tonalidade. Portanto, uma definição mais abrangente para modulação diatônica seria utilizar um acorde presente no campo harmônico original para levar a música até outro campo harmônico. Muitos autores também chamam esse tipo de modulação de “modulação por acorde comum/ pivô”.
Se fossemos pensar em cada possibilidade de modulação, ficaríamos até amanhã aqui falando sobre como é possível mudar a função harmônica de um acorde (poderíamos transformar um V7 em dominante secundário; este, por sua vez, poderia virar um subV7, etc. etc.). Não vale a pena ficar discorrendo sobre esses inúmeros casos, pois seria muito entediante. Basta que o conceito tenha sido entendido, pois os exemplos e ideias aparecerão quando fizermos análises em músicas.